22.1.24

Olhar o copo meio cheio

Para ler ouvindo Dinossauros - Dingo Bells

O show tem que continuar (Via Freepik
Faz algum tempo que tenho tentado escapar dos clichês de fim de ano, mas é quase inevitável a gente não se pegar fazendo uma reflexão que seja. 

Não pensei muito pra fazer esse texto, mas me vi abrindo o computador em plena manhã do dia 30 de dezembro e lembrei que há alguns meses eu tinha decidido voltar a bloggar. *risos da plateia* Essa que também foi uma das minhas muitas falhas empilhadas no banquinho empoeirado que mantenho no canto do quarto. Mas estou me adiantando...


2023 foi um ano difícil e eu demorei muito a assimilar essa informação. Já vivi sofrimentos maiores e, de certa forma, parecia meio injusto com meus outros problemas que eu estivesse, mais uma vez, sentido que a vida estava um pouco complicada. E talvez essa seja uma lógica que só faça sentido na minha cabeça, mas tudo bem. 

A verdade é que a gente costuma olhar para o copo sempre meio vazio, pq muitas vezes os problemas parecem (e as vezes são) maiores que as conquistas. Mas ainda que não sejam muitas, as glórias também estão ali e merecem ser lembradas, vividas e celebradas.

Esse ano eu consegui fazer algo que já era desejo há algum tempo: me mudei para o Rio de Janeiro. Um processo que não foi fácil (e muito menos barato), mas que foi uma realização foda. E foi olhando pra trás que percebi uma coisa: estava deixando de aproveitar o que podia, para lamentar pelo que não podia. E mesmo que eu tenha começado esse post em 2023 e terminado somente agora, em 2024, a reflexão ainda é válida e muito viva. E é igualmente uma conquista.

Que em 2024 a gente tenha mais coragem pra aproveitar as coisas boas, sem medo das coisas ruins. Feliz ano novo e nos vemos em breve! ♡

13.9.23

Coisas que ninguém te conta sobre a vida adulta


A ciência diz que a vida adulta começa aos 21 anos de idade. Isso significa que estou atravessando essa etapa há treze anos. Somando, são aproximadamente 4.745 dias dormindo e acordando como uma mulher adulta e, supostamente, independente. O que esses cálculos querem dizer? Nada. Ainda hoje, ser uma mulher adulta é um certo mistério pra mim.

No auge da minha adolescência, quando eu me imaginava aos vinte poucos anos, tinha absoluta certeza que teria uma vida totalmente resolvida. "Advogada, casada... talvez um filho." Quando se pensa nessa idade, parece muito tempo pra conseguir se organizar o suficiente pra ter uma vida estável. Spoiler: não é. Não pra mim, não pra muita gente.

Ser adulto custa caro, custa - tentar - manter a saúde mental sob controle, muita bateria social, força na coluna e bastante resiliência. 

A gente aprende, nem sempre da maneira mais simples, que mesmo em dias ruins a única opção é engolir seco, sair da cama e encarar o dia. Os boletos chegam, se acumulam, atrasam e pressionam. Os problemas não se resolvem sozinhos e ignorar não faz com que eles desapareçam.

A coluna doi, o joelho doi, a cabeça doi. A gente chora no banho, chora antes de dormir, chora. A louça se acumula na pia, o cesto de roupa suja transborda, a salada que você jurou que ia comer fica lá no fundo da geladeira vendo você pedir o 5o delivery da semana...
mas a grande magia da vida adulta é entender que, mesmo quando nem tudo está sob controle, ainda sim, tá tudo bem. O sol nasce todo dia e a vida segue. Se hoje não deu, amanhã a gente tenta outra vez. Seus amigos estão vivendo processos semelhantes e ninguém solta a mão de ninguém.

Se tá ruim, a gente encomenda salgado de festa pra comer fora de época. Bebe um vinho em dia de semana, estoura o cartão com compras on-line, assiste Sex and the City e escolhe uma personagem pra falar "ela é muito eu". E a gente tem o prazer de olhar até as pequenas conquistas e falar "caralho, eu que fiz!!!!!!!" e isso não tem preço.

Ser adulto é como ser uma planta, só que uma planta com sentimentos complexos. Além de água, sol e adubo, as vezes a gente precisa de terapia pra seguir brotando.

Tão suave quanto descer uma corredeira à bordo de um bote inflável